Discopatia degenerativa

O disco intervertebral é uma estrutura cartilaginosa formado basicamente por água e colágeno, que se situa entre os corpos vertebrais e tem a função principal de amortecer cargas, principalmente as forças de compressão. Ele possui duas partes: o núcleo pulposo (parte interna) e o anel fibroso (parte externa).

Anatomia do Disco Intervertebral

Anatomia do Disco Intervertebral

A Discopatia degenerativa é uma alteração na hidratação do núcleo pulposo (desidratação do disco), tornando o disco menos elástico e menos resistente às forças que agem nele.

Trata-se de um processo natural de envelhecimento que acomete todos os tecidos do corpo. Sempre faço uma analogia com a pele. Da mesma forma que a pele de um paciente com 15 anos é diferente da pele de uma paciente com 40 anos que por sua vez, é diferente de um paciente de 80, da mesma forma acontece com as estruturas da coluna, inclusive, os discos.

Classificação da degeneração discal

O processo da degeneração dos discos é dividido em 5 estágios de acordo com Pfirrmann:

  1. Núcleo pulposo homogêneo; Distinção clara entre o núcleo e o ânulo
  2. Núcleo pulposo heterogêneo; Distinção clara entre o núcleo e o ânulo
  3. Núcleo pulposo acizentado; Distinção não clara entre o núcleo e o ânulo
  4. Núcleo pulposo preto; Sem distinção entre o núcleo e o ânulo
  5. Núcleo pulposo preto; Com perda da altura do disco
Classificação da degeneração discal – Pfirrmann

Classificação da degeneração discal – Pfirrmann

Quais os fatores que interferem na degeneração do disco?

Existem dois grandes fatores que podem afetar no processo de desgaste discal. O primeiro fator não temos controle algum sobre ele, que é o fator genético. Os outros fatores que interferem são os fatores ambientais. Esses sim, temos controle sobre eles e podemos mudar.

  • Fatores genéticos
    Presença de alguns genes em nosso DNA que quando presentes estão associados a uma degeneração discal precoce
  • Fatores ambientais
    • Sobrepeso
    • Trabalhos que envolvam sobrecarga
    • Postura inadequada
    • Falta de fortalecimento de CORE

Quais os sintomas da degeneração discal?

Quando presente o sintoma mais frequente é a dor nas costas. A dor é descrita como pior na flexão do tronco (quando inclinamos o tronco para frente), nas mudanças de posições e quando se permanece muito tempo sentado (a posição sentada é uma posição natural de sobrecarga na coluna lombar)

Quando o anel fibroso se rompe e há extrusão do núcleo pulposo (hérnia de disco), pode haver compressão de alguma raíz da coluna (nervos da coluna) e gerar a dor ciática com irradiação para a coxa e perna, podendo estar presentes também formigamento, dormência ou até fraqueza.

Como fazemos o diagnóstico?

O exame mais utilizado para avaliar as condições do discos intervertebrais é a ressonância magnética. Com ela podemos avaliar a hidratação desses discos, avaliar se há ou não ruptura do anel fibroso e extrusão do núcleo pulposo e além disso se há compressão de alguma raíz nervosa.

Por meio da ressonância também conseguimos classificar a degeneração do disco de acordo com a classificação de Pfirmann.

Ressonância evidenciando discos intervertebrais com diferentes estágios de degeneração.

Ressonância evidenciando discos intervertebrais com diferentes estágios de degeneração.

A radiografia (Raio-X) e a tomografia computadorizada são bons exames para vermos exclusivamente a parte óssea, não sendo os exames de escolha para avaliar as condições dos discos.

Tratamento

O tratamento normalmente não requer cirurgia. A base do melhor tratamento nesse caso é diminuirmos a sobrecarga sobre os discos. Para isso, incentivamos mudanças do estilo de vida com controle de peso, prática de atividade física com fortalecimento de CORE e correções posturais. Fisioterapia e RPG (Reeducação Postural Global) são muito úteis no tratamento conservador.

Para dores refratárias, podemos utilizar métodos minimamente invasivos para controle da dor como a infiltração na coluna. A infiltração muitas vezes permite que o paciente inicie ou retome a prática de atividade física, fazendo com que haja uma melhora também no médio e longo prazo.

Os casos de cirurgia são exceções e ficam restritos a alguns casos onde há instabilidade da coluna ou que haja compressão nervosa gerando dor ciática. Nessas situações, optamos por cirurgia minimamente invasiva da coluna vertebral.

Perguntas Frequentes

O que é discopatia degenerativa?

A Discopatia degenerativa é uma alteração na hidratação do núcleo pulposo (desidratação do disco), tornando o disco menos elástico e menos resistente às forças que agem nele.

Quem tem discopatia degenerativa pode trabalhar?

A discopatia degenerativa é um processo natural de envelhecimento natural do nosso corpo e não necessariamente uma doença. Portanto não há nenhuma contra-indicação ao trabalho.

Como reverter discopatia degenerativa?

Como o próprio nome já diz, trata-se de um processo degenerativo, portanto só tende a progredir. Todos os tratamento que envolvem a regeneração dos discos ainda são experimentais.

Quais os riscos da discopatia degenerativa?

O principal risco é a dor na coluna e em estágios mais avançados as compressões nervosas.

Qual a diferença entre discopatia degenerativa e hérnia de disco?

Discopatia degenerativa é um termo amplo que é o processo de degeração do disco intervertebral. A hérnia de disco é uma consequência dessa degeneração que pode cursar com compressão radicular e dor ciática.

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