
A meralgia parestésica é uma condição que muitos confundem com problemas na lombar ou no quadril, mas ela tem origem no nervo cutâneo femoral lateral. Ele é responsável pela sensibilidade da face anterior (da frente) e lateral da coxa. Quando sofre compressão ou é lesionado, ele causa dor, queimação, dormência ou formigamento nessa região.
Entenda a meralgia parestésica e como o ortopedista de coluna auxilia no diagnóstico e na definição do melhor plano de tratamento.
Como identificar a meralgia parestésica
A meralgia costuma se manifestar com sintomas característicos:
- Sensação de queimação, ardor ou formigamento na parte da frente e lateral da coxa.
- Dormência ou sensibilidade alterada ao toque.
- Piora da sensação ao ficar em pé por muito tempo ou ao usar roupas apertadas e cintos — e alívio ao sentar ou flexionar o quadril.
A mancha vermelha indica o local dos sintomas em caso de meralgia parestésica, uma condição em que o nervo cutâneo femoral lateral é afetado. Fonte da imagem: Cleveland Clinic.
Esses sinais ajudam a diferenciar a meralgia de outras causas de dor na coxa, como doenças da coluna ou problemas no quadril. Vale ressaltar que, em geral, não há fraqueza muscular nem alteração da mobilidade (afinal, o nervo acometido é sensitivo).
Por que isso acontece?
A compressão ou irritação do nervo cutâneo femoral lateral (NCFL) pode ocorrer por diversos fatores — muitos deles evitáveis. Entre os mais comuns:
- Uso de roupas apertadas, cintos justos ou cintas modeladoras. Essas peças pressionam o nervo na sua passagem pelo ligamento inguinal. (Trata-se de um Nervo muito superficial)
- Sobrepeso ou obesidade, que aumentam a pressão sobre o nervo.
- Gravidez — o aumento abdominal eleva a pressão na região inguinal e pode provocar irritação nervosa.
- Traumas ou cirurgias abdominais/pélvicas que afetem a região onde o nervo passa — em especial perto da espinha ilíaca anterior superior.
- Alterações posturais, movimentos repetidos, longos períodos em pé ou sentado — todos contribuem para o estresse no trajeto do nervo.
Diagnóstico: economia de tempo e precisão
O diagnóstico é baseado na história clínica e no exame físico. A meralgia parestésica é muitas vezes um diagnóstico clínico — ou seja, o relato do paciente e o exame do médico são suficientes.

A imagem mostra o território de sintomas da meralgia parestésica.
Quando a apresentação não é típica — ou quando é necessário excluir outras causas — utilizamos exames complementares:
- Eletroneuromiografia ou estudo de condução nervosa para avaliar a função do nervo.
- Ultrassom ou ressonância magnética, quando a causa pode envolver estruturas próximas ou casos mais complexos.
Esse rigor no diagnóstico evita tratamentos desnecessários e dirige o plano terapêutico de forma eficiente.
Tratamento da meralgia parestésica
A grande maioria dos casos de meralgia parestésica responde bem a medidas simples, especialmente quando identificada precocemente:
- Mudanças de hábito e estilo de vida
- Evitar roupas apertadas ou cintos justos.
- Manter peso saudável.
- Verificar posturas e ergonomia no dia a dia (trabalho, tarefas domésticas, etc.).
- Fisioterapia e alongamentos
A fisioterapia ajuda a liberar a tensão na região do ligamento inguinal, alongar músculos do quadril e promover equilíbrio muscular, reduzindo a sobrecarga sobre o nervo.
- Medicação e cuidados localizados
Analgésicos e anti-inflamatórios podem aliviar sintomas. Quando indicado, infiltrações com anestésico e corticoide ajudam a reduzir a inflamação e aceleram o alívio.
- Procedimentos guiados
Em casos persistentes, bloqueio guiado por imagem ou infiltrações podem oferecer alívio mais duradouro. A literatura recente indica que essa abordagem traz alívio significativo mesmo em quadros crônicos.
- Cirurgia — última opção
A cirurgia para descompressão do nervo é rara e reservada a casos hipotéticos e bem selecionados, quando todas as outras medidas falharam. Mesmo nesses cenários, a avaliação criteriosa por um cirurgião de coluna ou ortopedista de coluna é essencial.
A avaliação de cada paciente deve ser realizada de forma individualizada: identificação da causa real da dor, eliminação da possibilidade de condições mais graves e orientação do tratamento mais adequado. Isso é feito com base em:
- Diagnóstico preciso e baseado em evidências.
- Tratamento conservador e humanizado, sempre que possível.
- Uso criterioso de infiltrações e bloqueios guiados por imagem.
- Cirurgia apenas quando estritamente necessária, com técnicas modernas e seguras.
O objetivo é devolver conforto, mobilidade e qualidade de vida com o mínimo de invasão e o máximo de segurança.
Quando procurar um especialista
Procure uma avaliação especializada se você apresentar:
- Dor persistente, queimação ou dormência na lateral da coxa.
- Formigamento que incomoda ao caminhar, deitar ou trocar de posição.
- Sintomas que pioram com roupas apertadas, cinto ou postura prolongada.
- Falta de resposta ou piora após tentativas de repouso, ajustes posturais e cuidados iniciais.
Com diagnóstico precoce, a meralgia parestésica tem excelentes chances de melhora significativa — sem necessidade de cirurgia.
Se você está sofrendo com dor ou sensação de formigamento na coxa, agende sua consulta. Como ortopedista e cirurgião de coluna em Itaim (São Paulo) e Jundiaí, estou à disposição para avaliar seu caso, esclarecer suas dúvidas e construir com você o melhor plano de tratamento.
FAQs
A meralgia parestésica tem cura?
Sim. A maioria dos pacientes melhora com ajustes de hábitos, fisioterapia e, em alguns casos, infiltrações. Recidivas podem ocorrer, mas são controladas com acompanhamento médico.
A meralgia parestésica pode virar algo grave?
Não. Ela é benigna e não causa sequelas neurológicas importantes. Quando há fraqueza, é preciso investigar outras causas.
Infiltração é sempre necessária?
Não. A infiltração é indicada somente quando as medidas iniciais não resolvem. É um procedimento seguro e pode acelerar a melhora.

